Pessoas com deficiência relatam dificuldades de inclusão no mercado de trabalho

Em 31/10/2017
-A A+

Cegos, surdos, pessoas com mobilidade reduzida e com deficiência intelectual relataram na Alepe as principais dificuldades enfrentadas para ingressar no mercado de trabalho. Eles foram ouvidos nessa terça, em reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência. De acordo com a coordenadora do grupo, deputada Terezinha Nunes, do PSDB, é preciso identificar os obstáculos ouvindo representantes do segmento. “Trazer as pessoas com deficiência que trabalham ou que já trabalharam, para elas próprias mostrarem, sobretudo ao Ministério do Trabalho – que estava presente – e às demais entidades, as dificuldades que elas têm de entrar no mercado de trabalho.” 

O assessor parlamentar Iramar Junior, servidor da Alepe, é cadeirante. Ele disse que o preconceito começa antes mesmo da análise das qualificações e do currículo do candidato. “A pessoa com deficiência é considerada incapaz só pelo fato de ser deficiente. Por exemplo, eu chego com o currículo na empresa, com o mestrado concluído e a pessoa me bota para trabalhar como porteiro.” 

O vice-presidente da Associação de Surdos de Pernambuco, Jean Nascimento, se comunicou com a reportagem por meio de uma intérprete da Língua Brasileira de Sinais. Ele disse que se sente inferiorizado no ambiente de trabalho em relação aos colegas ouvintes. “Algumas pessoas achavam que por eu ser surdo tudo tinha que ser diferente, não tinha uma igualdade, tinha uma superioridade entre os ouvintes. E eu sabia que eu era capaz.”

Uma das questões debatidas no encontro foi a dificuldade de incluir no mundo corporativo aqueles que recebem o Benefício de Prestação Continuada, um salário mínimo mensal para pessoas de baixa-renda com deficiência. O presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antônio Muniz, é deficiente visual. Ele citou gastos extras para o exercício das funções. “No caso de uma pessoa cega, se a empresa não oferece os softwares apropriados de acessibilidade, essa pessoa cega vai ter que bancar esse custo.”

A próxima reunião da frente parlamentar vai ser no município de Ouricuri, no Sertão do Araripe, no dia 10 de novembro.